Capital Intangível

Por serem ativos não reconhecidos segundo o seu valor econômico, os ativos intangíveis constituem aquilo que Toffler denominou “economia invisível” em Riqueza Revolucionária, seu livro mais recente.

Segundo ele, a economia monetária do mundo gira atualmente na casa dos 50 trilhões de dólares, os quais representam o valor econômico da produção criada no planeta a cada ano (p.210).

Toffler acredita que a economia real, aquela em que se adicionaria o valor econômico dos ativos invisíveis poderia dobrar esse valor, e propõe uma caçada ao número:

“Essa caçada nos levará dos supercomputadores a Hollywood e à música hip-hop, passando, ao longo do caminho, pelas ameaças biológicas, pirataria e usurpação de propriedade intelectual e também pela procura por vida no espaço exterior.”

Em 2002 nós iniciamos essa caçada, todavia de forma mais modesta. Começamos as pesquisas para avaliar a riqueza invisível escondida sob o valor de mercado das 25 maiores empresas da Bolsa de Valores de São Paulo. Descobrimos que o valor de mercado à época representava valores muito acima do valor de mercado das empresas da amostra.

Demos ao projeto o nome de “Capital Intangível”, que compreendemos como a soma do valor econômico de todos os ativos invisíveis das empresas. Os resultados que obtivemos confirmaram a visão de Toffler, e foram ainda além.

O mercado está certo?

A atual crise econômica revelou que muitas empresas estavam supervalorizadas. Muitas empresas não conseguiram superar seus desafios, e assistimos a maior queima de ativos intangíveis da história.

Se o mercado acreditasse na visão de Tofler, dificilmente teria realizado investimentos em empresas ricas de fachada, e miseráveis de conteúdo.

Toda a riqueza da sociedade do conhecimento é movida por ativos intangíveis, sobre os quais não fazemos a menor idéia de quanto valem, pelo menos sem que alguém preste atenção ao que Toffler fala há anos. Os picaretas do mercado inflaram a riqueza da economia, todavia sobre fundamentos podres, lastreados apenas em papéis.

Na hora do pânico, os investidores podem realmente desejar perder dinheiro, e vender as boas ações das empresas listadas na Bovespa.

A nossa recomendação é que eles continuem olhando para elas através dos mesmos recursos aplicados pelas listas de avaliação de marcas, agências de rating e os brilhantes analistas de Wall Street, que valorizaram positivamente a AIG, Bear Stearns, Lehman Brothers, Merrill Lynch e tantas outras, poucos meses antes de suas iminentes quebras.

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